Lembrei-me de quando fazia cartas de amor. O mundo era mais bonito, os problemas menores, o coração menos sofrido e você, um mito. Foi - será - um amor verdadeiro, incólume, honesto e derradeiro. Limpo como o vento. À punho, desmembrava em um papel sentimentos que não cabiam dentro. Eu era pequeno e, você, perfeito.
O tempo voou e eu só me vi mudar. Mudar de físico, de olhar. Vi meu ser voar e se entregar para um futuro certo, marcado por feridas, tristezas e desavenças. Não existira um final feliz porque o destino assim não quis.
Já não te escrevo mais. Não porque não quero, mas porque cansei. Você era tudo o que queria. Hoje tudo é dor, tudo é terror, tudo é amor. Um amor louco, mas que, por uma fagulha, mantém-se aceso em ambos os peitos.
Temos a água em mãos. Temos as memórias em vão. Temos o coração no chão. Queremos apagá-la?
uma música pode mudar uma vida. a minha foi aos 14, quando Avril Lavigne lançou complicated. me lembro do instante: disk mtv, 5h da tarde, eu brigadando com minha irmã. "hey guys, do you wanna crash the mall?". Pan, pan, pan, pan pan... Paramos. Assistimos. O que diabos aquela menina estava fazendo com luvas e cantando uma música melosa? Não sei. Sk8er Boi. I'm With You. Losing Grip. Começou uma história de amor platônico que, no futuro, ia gerar os melhores momentos da minha vida. Nobody's Home quando fiquei sozinho. When You're Gone quando me apaixonei. Hot quando minha sexualidade explodiu. What The Hell quando o meu mundo mudou. Smile quando eu só precisava sorrir. Goodbye quando percebi que o adeus era obrigatório.
Minha vida andou junto com os momentos e músicas da Avril. É estranho, é infantilóide fazer esta ligação, mas ela pesa em minha cabeça em todos os momentos.
Life's like this: você cai, você rasteja, você perde, você pega o que pode e transforma em honestidade.
Cantar tudo isso de coração cheio. Com amor. Com sinceridade. Cantar como se não houvesse amanhã. Dançar Complicated olhando nos olhos daquela que a escreveu. Focar.
I like you the way you are. When we're driving in your car. Mesmo sem cinto de segurança, talvez por birra, ainda me pergunto: por que você teve que ir e fazer as coisas tão complicada?
Veja só. Veja só. Ainda lembro da imagem da piscina de bolinhas e a legenda de "When You're Gone". Ainda lembro da imagem preta e a legenda de Tomorrow.
"olha, vai ficar difícil". quando (se!) eu tiver um filho, essa vai ser uma das frases que terei certeza de dizer a ele. aproveite essa infância, durma no sofá, coma tranqueiras, vire a madrugada acordado. aproveite, meninão. daqui uns anos, tudo isso vai acabar. delicie-se nos anos em que sua única preocupação é ver o capítulo seguinte do desenho animado ou decorar a tabuada do 7. aproveite que não existem grandes responsabilidades e faça arte na escola. por favor, seja levado para a sala da diretora pelo menos uma vez por mês.
você vai envelhecer. e vai ser muito rápido. um dia você vai ter 18, vai estar rindo da vida e, no outro, quebrando a cabeça tentando resolvê-la. tudo começa cedo. e o tempo vai te castigar.
o dinheiro vai ser pouco, a não ser que você tenha muita sorte. o corpo não vai ser o mesmo, por isso, coma bastante besteira enquanto pode. os relacionamentos vão consumir seus pensamentos. as pessoas se tornarão malvadas, chatas e impossíveis. o tempo vai ficar curto. o sono vai durar pouco. a cabeça vai guardar o mundo. a boca vai ser fechada.
isso vai ser o envelhecer. anote. acontece comigo, vai acontecer com você. eu só tenho 24 e já me acho um louco. imagina aos 40. prefiro ser bobo.
je voudrais te dessiner dans un désert... 14/02/2012
é tão gostoso ficar sonolento quando a cabeça não para de maquinar. acordar cedo sem perceber que a noite acabou de tanto falar. é até errado, mas de uma delícia tremenda. apaixonar-se requer cuidado: um coração, mesmo se já muito quebrado, não pode ser estraçalhado. apaixonar-se requer toques, mil passos, alguns beijos e tantos amassos. é um mundo ainda novo que desafia o passado - um bocado. oh, um menino, mude o artigo, se arrisque comigo. não me machuque, não vá embora, não brinque tanto. são 10 dinheiros, um leão e novos contrastes pra gente, juntos, criar uma raridade.
cabeça - pilhada, 24/7, desesperada, animada, empolgada, criativa. cara - a de sempre. nunca foi expressiva. coração - destroçado - como disseram que ia ficar há quatro anos. clichê - tudo passa.
Para que serve o sapato mais caro do mundo? De que adianta a blusa mais brilhante? Para que serve se matar de estudar? Pra que conhecer o mundo inteiro? Basta ter o cabelo mais liso e lindo? O corpo mais magro? O dente mais reto? O passo mais leve? De que serve ser o melhor? Pra que ser famoso? No fim da noite, vai todo mundo estar gastando o sapato, sujando a blusa, esquecendo a etiqueta, perdendo a cabeça, com o cabelo bagunçado, um sorriso sincero, a roupa colada, anônimo, dançando até que a música diga que basta.
Feeling sexy and free. About to explode. Don't you know? We are all out of control.
Me fez rir, então vale compartilhar. Sentado na cama, agora há pouco, assistindo Harry Potter e comendo Sucrilhos, lembrei-me dessa mesma pessoa anos antes. Era adolescente, tinha hábitos e manias únicas, vontades pequenas de conhecer pessoas interessantes e lugares estonteantes. Via seriados e imaginava minha vida e meu amor ali. Sonhava com personagens e acordava no meio da noite triste. A Marissa morreu. Esse era eu.
Hoje, percebi que cresci e, meu Deus, emburreci e deixei de sonhar pequeno (e, veja bem, nem sonhado grande tenho). Não tenho mais um mundo mágico que me mudou tanto, apesar de amar loucamente esse bruxo de óculos, não viajo a cidade toda lendo livros e rindo sozinho dentro do ônibus, quiça chorando, ocasião que já me fez um cobrador dizer "ela volta!". Não tenho mais um seriado predileto onde o amor impossível dos ricos me angustiava. Não tenho amigos que disputavam os 150 primeiros Pokémons no GameBoy. Não tenho uma vontade incrível de ser sempre o melhor, hoje, basta ser OK. Não tenho mais madrugadas em claro lendo e lendo sobre internet, programação e consumo de informação. Não tenho informação.
Levantei. Olhei a minha volta. O quarto continua cheio de brinquedos. A cada dia mais. Entendi.
Levantei da cama. Liguei Avril Lavigne. Escolhi um livro de amor. Baixei temporadas e temporadas de um seriado. Favoritei uns sites. Fiz um layout.
Sem eu perceber, me mudaram. Tiraram minha ingenuidade, o meu brilho, para dar lugar a algo que sempre esteve guardado, precisava um dia sair, mas não deveria durar. Uma ex-namorada já dizia: a gente muda, mas a essência permanece. É fácil voltarmos a ser o que temos de melhor.
Things I said before but I'll never say again:
1. I love you
2. I miss you
3. I'm sorry
After messing up ( for not losing weight) I broke up with my boyfriend because he desperately wanted me to lose weight. He got mad when I didn't. It broke my heart because he didn't love me for who I was. I am never going to say those things again to him. I may still love him, but I'm not going to be a fool.
Achei isso sem querer. Me doeu o coração. De tudo, o mais triste é o final: I may still love him...